Ex-coordenador de pós-graduação teria orientado alunas a repassar valores das bolsas para terceiros; denúncia foi encaminhada ao MPF

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) demitiu o ex-coordenador do programa de pós-graduação em Engenharia Mecânica após a conclusão de um processo administrativo disciplinar (PAD) que revelou um esquema de desvio de bolsas de estudo. A decisão foi assinada pelo reitor Carlos Henrique de Carvalho e aguarda publicação no Diário Oficial da União.
Segundo a UFU, o relatório final do PAD foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que analisará o caso sob a ótica criminal. Paralelamente, a Polícia Federal (PF) também iniciou uma investigação para apurar o desvio de recursos públicos.
Denúncias e esquema de desvio
A investigação foi motivada por denúncias feitas por duas alunas do programa, que relataram que o professor orientava o repasse de parte do valor das bolsas, concedidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
As bolsas tinham o valor mensal de R$ 2.100,00. Em conversas por aplicativo, uma das alunas afirmou que o coordenador forneceu dados de uma conta Pix para que ela transferisse R$ 1.000,00 para uma auxiliar do curso, enquanto o restante deveria ser enviado ao filho do professor, também aluno da UFU.
Depoimentos e medidas administrativas
Em depoimento à PF, uma das alunas revelou que, ao tentar renunciar à bolsa em março de 2024, foi orientada pelo professor a continuar recebendo o benefício até o final do semestre e repassar o valor para outro aluno. Ele teria justificado a prática como uma forma de ajudar estudantes em situação de vulnerabilidade.
O professor estava afastado de suas funções desde setembro de 2023, após solicitar licença para tratar de interesses particulares. Agora, com a demissão definitiva, a UFU conclui a penalidade administrativa, mas o caso ainda segue em análise pelo MPF e sob investigação criminal pela PF.
Investigação criminal
O MPF, que recebeu as representações em outubro de 2023, solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito. A PF informou que as investigações continuam em andamento, mas detalhes adicionais não podem ser divulgados devido a questões de política interna.
O desvio de recursos públicos é considerado crime grave, e o caso pode resultar em responsabilização penal do ex-coordenador e demais envolvidos.






















