Ingrid Golçalves Mesquita foi convidada por uma organização internacional de mulheres pilotos para palestrar no Pacific Airshow, na Califórnia. Interesse pelos aviões começou na infância, e o primeiro voo aconteceu aos 4 anos

A piloto catalana Ingrid Golçalves Mesquita apresentou sua trajetória na aviação durante o Pacific Airshow 2026, realizado entre os dias 2 e 4 de outubro, em Huntington Beach, na Califórnia, nos Estados Unidos. Convidada pela organização internacional de mulheres pilotos Ninety-Nines, ela falou sobre o sonho de voar e as diferentes possibilidades de carreira no setor.
Com o tema “Um caminho não é o único caminho”, a apresentação marcou a primeira palestra de Ingrid e foi transmitida pelos alto-falantes do evento. A piloto contou como o interesse pelos aviões, despertado ainda na infância em Catalão, no sudeste de Goiás, se transformou em profissão.
O Pacific Airshow chegou à 10ª edição com três dias de demonstrações militares, voos de precisão e acrobacias sobre o litoral. Segundo os organizadores, é o maior show aéreo dos Estados Unidos em número de público, com edições anteriores que atraíram cerca de 3 milhões de pessoas à região.
Paixão começou na infância
Durante a palestra, Ingrid lembrou que tinha 2 anos quando a mãe a levou a um zoológico próximo a um aeroporto. Em vez de observar os animais, ela passou o passeio olhando para os aviões.
“Minha mãe me levou para ver os bichos, e a gente acabou indo para o aeroporto ver os aviões, que me interessavam muito mais”, contou.
Aos 4 anos, fez o primeiro voo em um avião agrícola. A passagem sobre as plantações ficou na memória e marcou o início do desejo de pilotar.

“Fizemos uma passagem rente ao chão, com as plantações passando logo abaixo de nós, e naquele momento eu soube. Não sabia quando nem como. Só sabia que um dia eu precisava ser piloto”, relatou.
O pai de Ingrid trabalhava com aviação agrícola, o que permitiu que ela crescesse próxima de pilotos e aeronaves. Apesar desse contato, ninguém da família pilotava.
Segundo Ingrid, o pai inicialmente disse que aquela atividade não era para ela. A reação fez com que deixasse o sonho de lado por um período. Mais tarde, com o incentivo da mãe, passou a contar com o apoio dos dois para iniciar as aulas.
Formação nos Estados Unidos
Na época de escolher onde cursar a faculdade, Ingrid considerou Austrália, Inglaterra e Estados Unidos. O interesse pela aviação executiva influenciou a decisão de se mudar para o território americano.
Em uma conferência de aviação, conheceu a história de Kim Kissh, piloto de jatos executivos, e percebeu que voar poderia ser uma profissão.
Dois meses depois de começar as aulas, o instrutor perguntou por que ela não seguia carreira na área. Aos 21 anos, Ingrid decidiu se dedicar à formação profissional.
Em um ano e meio, passou pelas etapas de piloto privado, habilitação de voo por instrumentos e piloto comercial, até se tornar instrutora de voo. Ao falar sobre esse período, destacou que cada aluno pode seguir seu próprio ritmo.
“Sendo honesta, foi intenso, e ninguém precisa fazer desse jeito. A maioria das escolas deixa você ir no seu ritmo. Rápido ou devagar, você chega lá”, afirmou.
Ingrid trabalhou como instrutora durante três anos. Depois, voltou ao Brasil, onde teve a oportunidade de pilotar um King Air, aeronave executiva bimotora turboélice.
“A menininha do zoológico e a criança de quatro anos no avião agrícola foram voar no país onde tudo começou”, disse.

Possibilidades além das companhias aéreas
A mensagem central da palestra foi que não existe uma única forma de ingressar na aviação. Ingrid apresentou possibilidades que vão além das companhias aéreas e da carreira militar.
Entre as atividades citadas estavam a aviação executiva, o transporte de cargas, os voos agrícolas, o transporte aeromédico, o combate aéreo a incêndios, a instrução de voo e as apresentações acrobáticas.
Ela também mencionou profissões exercidas em solo, como mecânico de aeronaves, controlador de tráfego aéreo, despachante operacional de voo, engenheiro aeroespacial e gerente de aeroporto.
“Não existe um único caminho para entrar na aviação, e também não existe um único emprego no fim dele”, declarou.
A piloto ressaltou ainda que voar pode ser uma atividade de lazer. Durante a apresentação, contou sobre experiências de voo com amigos e sobre seu interesse pela acrobacia aérea.
Disciplina e dedicação
Na parte final da palestra, Ingrid destacou que a formação exige tempo, investimento financeiro, estudo e dedicação. Também afirmou que a aviação contribuiu para seu desenvolvimento pessoal.
“A aviação faz você crescer em todos os sentidos. Ensina disciplina. Ensina a manter a calma quando as coisas dão errado. Ensina a tomar decisões, a ser humilde e a continuar aprendendo”, disse.
Ao encerrar, deixou uma mensagem para quem deseja começar, mas enfrenta dúvidas ou falta de incentivo.
“Não importa de onde você vem. Não importa se ninguém na sua família voa. Não importa se alguém te disser que isso não é para você. Da próxima vez que um avião passar, não fique só olhando. Pergunte a si mesmo qual daqueles assentos é o seu”, afirmou.

Evento reuniu demonstrações e acrobacias
A programação do Pacific Airshow contou com os Thunderbirds, esquadrilha de demonstração da Força Aérea dos Estados Unidos, e os Snowbirds, do Canadá. Também participaram aeronaves como F-35, F-22, MiG-29 e um P-38 da Segunda Guerra Mundial.
As apresentações incluíram paraquedistas da Real Força Aérea britânica, a equipe Red Bull Air Force e o piloto Mike Goulian, que realizou uma demonstração com um Extra 330SC.




















