Crise financeira leva elenco do Goiás a paralisar treino e torcida protesta na Serrinha após quatro meses de salários atrasados e dívida de quase R$ 12 milhões

Jogadores deixaram de treinar em meio aos atrasos salariais, enquanto cerca de 30 torcedores foram à Serrinha nesta quinta-feira (5) para cobrar providências da diretoria; dívida do clube se aproxima de R$ 12 milhões e até itens básicos estariam em falta no centro de treinamento.

Torcedores do Goiás em protesto na Serrinha — Foto: Guilherme Alves/O Popular

Cerca de 30 torcedores do Goiás foram até a sede administrativa do clube, na Serrinha, na tarde desta quinta-feira para protesto pacífico em apoio ao elenco esmeraldino, que não recebe salários há quatro meses.

Os torcedores tiveram entrada autorizada e alguns deles se reuniram em sala fechada com o presidente executivo, Munir Calixto. O intuito foi cobrar da diretoria o pagamento dos atrasados aos jogadores.

Os atletas também estavam na Serrinha no momento do protesto. Eles não foram hostilizados pela torcida, que concentrou a cobrança em cima da diretoria.

Um dos gritos entoados pelos torcedores foi:

“Não aguento mais… É uma vergonha o que fizeram com o Goiás!”

Crise financeira

O elenco esmeraldino vem convivendo com atrasos há meses, tanto de vencimentos na carteira como de direito de imagem. Também há débitos relacionados a premiação por vitórias.

Segundo um dirigente ouvido pela reportagem, a dívida é quase de R$ 12 milhões. Além de atletas e comissão técnica, outros funcionários também estão com atrasados (dois meses).

Apesar da crise financeira, o Goiás está colado no G-6 e ainda sonha com acesso a duas rodadas do fim da Série B.

O Verdão enfrenta Ponte Preta e Sport nos dois jogos restantes e tem seis pontos em disputa para ultrapassar o CRB, atual sexto colocado.

Torcedor do Goiás expõe dura realidade do clube: ‘Não tem manteiga, nem fornecedor de pão’

Após a reunião, em entrevista ao Globo Esporte, o presidente da torcida organizada Força Jovem, Iron Kioma, relatou que não há previsão concreta para a quitação dos débitos com atletas e funcionários, ressaltando que a escassez atingiu itens básicos da rotina do clube.

– Foi o que eles tinham informado para a gente antes. Só que, no final das contas, o que nos passaram hoje é que não tem nada concreto: não tem data para pagamento de funcionários e não tem data para pagamento de jogadores. O que foi ventilado ali é que, no CT, estão faltando coisas básicas, como manteiga, fornecedor de pão. O clube hoje está literalmente às traças, não temos uma infraestrutura cabível a isso – afirmou o torcedor.

Além do atraso de quatro meses nos salários dos jogadores (vencimentos em carteira e direitos de imagem), o clube acumula débitos de premiações por vitórias e dois meses de salários atrasados com funcionários internos. Segundo dirigentes ouvidos pela reportagem, a dívida aproxima-se de R$ 12 milhões.

Além do atraso de quatro meses nos salários dos jogadores (vencimentos em carteira e direitos de imagem), o clube acumula débitos de premiações por vitórias e dois meses de salários atrasados com funcionários internos. Segundo dirigentes ouvidos pela reportagem, a dívida aproxima-se de R$ 12 milhões.

Durante a manifestação, o elenco e a comissão técnica não foram hostilizados. A torcida concentrou os protestos na gestão executiva. Apesar da crise de bastidores, o Goiás permanece na disputa pelo acesso à Série A. Com 55 pontos, o Esmeraldino ocupa a sétima colocação, com a mesma pontuação do CRB — sexto colocado que leva vantagem no saldo de gols —, além de Sport e Atlético-GO.

Nas duas rodadas finais da primeira fase, o Goiás enfrenta a Ponte Preta na Serrinha e fecha a campanha contra o Sport, fora de casa.

Goiás “às traças”: entenda a grave crise financeira no clube

A crise financeira no Goiás chegou a seu momento mais agudo. Além de salários atrasados há 4 meses, o clube enfrenta até mesmo escassez de suprimentos básicos no dia dia, segundo torcedores.

A situação foi exposta por Iron Kioma, presidente da Força Jovem Goiás, após protesto na Serrinha, sede do clube, na tarde de quinta-feira.

Na ocasião, torcedores esmeraldinos foram prestar solidariedade ao elenco e cobrar providências da diretoria, já que o clube ainda briga por acesso a duas rodadas do fim da Série B.

A situação, porém, já se arrasta há pelo menos seis meses, quando o diretor de futebol Michel Alves veio a público revelar que o clube estava com salários atrasados.

21 de maio: diretor expõe atraso salarial

Michel Alves disse que o clube estava com um mês de salário atrasado. Segundo o dirigente, já havia pendências envolvendo os vencimentos normais e também direitos de imagem. Michel prometeu cobrar da presidência uma solução para o problema.

20 de setembro: protesto silencioso

Jogadores do Goiás e o técnico Mozart adotaram silêncio após vitória sobre o Avaí. A decisão de não conceder entrevista foi um protesto aos salários atrasados no clube. A medida partiu do elenco e foi acompanhada pelo treinador na Serrinha.

21 de setembro: carta aberta do elenco

No dia seguinte, jogadores como Tadeu, Lucas Rodrigues, Kadu Sousa e Jean Carlos, divulgaram carta aberta explicando o “silêncio” após vitória. Nesse momento, já eram dois meses de atraso nos vencimentos, nos direitos de imagem e cinco premiações atrasadas.

2 de novembro: Mozart atualiza dívida

Após vitória sobre o CRB, o técnico Mozart exaltou o feito e revelou que os atrasos já chegavam a quatro meses. O treinador destacou a postura dos atletas de continuarem se dedicando e colocando o Goiás na briga por acesso até o fim.

5 de novembro: protesto na Serrinha

Torcedores vão até a Serrinha se solidarizar com o elenco e protestar contra a diretoria. Líder de organizada diz que faltam até suprimentos básicos no dia a dia do clube, como pão e manteiga para refeição de atletas e funcionários. Pela manhã, os jogadores se recusaram a treinar.

6 de novembro: situação atual

Além do atraso de quatro meses dos jogadores (vencimentos em carteira e direitos de imagem), o clube acumula débitos de premiações e dois meses de salários atrasados com funcionários internos. Segundo dirigentes ouvidos pela reportagem, a dívida aproxima-se de R$ 12 milhões.

Com informações GE.Globo