Após forte mobilização nas ruas e nas redes, presidente superou derrota do 1º turno e venceu uma eleição acirrada. Petista terá pela frente forte oposição no Congresso e o desafio de equilibrar as contas públicas após ampliar gastos durante a campanha eleitoral.

Em uma eleição acirrada marcada por uma virada inédita, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) presidente da República e conquistou seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto.
A confirmação da vitória de Lula foi feita pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 21h08, quando 97% das urnas já tinham sido apuradas. Àquela altura, Lula tinha 51,74% e Flávio tinha 48,26%.
Às vésperas de completar 81 anos, o que ocorrerá na próxima terça-feira (27), o petista se tornou, ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL), o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular.
A quarta vitória ocorre mais de duas décadas depois de chegar ao poder pela primeira vez, em 2002.
A virada histórica se deu após uma forte mobilização da campanha do petista, nas ruas e nas redes sociais.
No quarto mandato, Lula terá grandes desafios, como lidar com uma forte oposição no Congresso Nacional e equilibrar as contas públicas após ampliar benefícios durante campanha eleitoral e prometer reforçar programas sociais.
Um dos fundadores do PT, Lula foi eleito presidente em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao Planalto em 2023, após vencer Jair Bolsonaro, pai de Flávio, nas eleições de 2022.
Sua trajetória também foi marcada por três derrotas presidenciais, condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), 580 dias de prisão e o retorno à disputa eleitoral.
A nova vitória consolida Lula como o principal personagem da política brasileira no século 21. E garante ao petista mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto.
Depois de ficar atrás de Flávio no primeiro turno, 47% a 45% dos votos válidos, o petista protagonizou uma virada histórica na segunda etapa da disputa eleitoral.
Quem é Luiz Inácio Lula da Silva?
Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. É o sétimo dos oito filhos do casal de lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como a dona Lindu.
O pai deixou Pernambuco quando Lula ainda era bebê e se mudou para o litoral paulista em busca de trabalho. Em dezembro de 1952, aos sete anos, Lula viajou com a mãe e os irmãos para São Paulo, em um caminhão pau de arara.
A família se instalou inicialmente no Guarujá, onde reencontrou Aristides, que já havia formado outra família e a dona Lindu acabou se separando do marido.
Em 1956, mãe e filhos se mudaram para a capital paulista, onde passaram a morar em um pequeno cômodo nos fundos de um bar.
Lula foi vendedor ambulante, engraxate e office boy, até conseguir emprego na Fábrica de Parafusos Marte.
Aos 14 anos, ingressou na indústria e aos 18 anos concluiu o curso de torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Antes disso, aos 17 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.
A vida pessoal de Lula também foi marcada por perdas familiares. Em 1969, casou-se com a operária Maria de Lourdes da Silva, que morreu gravida em 1971.
Em 1974, Lula se casou com Marisa Letícia, com quem viveu por mais de quatro décadas.
Lula e dona Marisa tiveram três filhos, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio. Lula também é pai de Marcos Cláudio, filho de Marisa de um relacionamento anterior, que foi adotado pelo petista, e de Lurian, fruto de outro relacionamento com Miriam Cordeiro.
Marisa acompanhou a ascensão política de Lula, desde o movimento sindical até a Presidência da República. Ela morreu em fevereiro de 2017, aos 66 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).
Em maio de 2022, Lula se casou pela terceira vez, com a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja. A cerimônia ocorreu em São Paulo, durante a campanha que levaria o petista de volta à Presidência da República.
Movimento sindical e PT
Lula trabalhou na Indústria Villares, metalúrgica em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. Ingressou no movimento sindical por influência do irmão José, chamado de Frei Chico.
Foi suplente, primeiro-secretário e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
Reeleito presidente do sindicato, Lula ganhou visibilidade nacional pela liderança nas greves de metalúrgicos que paralisaram o ABC durante a ditadura militar (1964-1985). O governo ditatorial reagiu, e o sindicalista ficou 31 dias na cadeia em 1980, com base na antiga Lei de Segurança Nacional.
Também em 1980, Lula foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), junto com políticos, sindicalistas, intelectuais, lideranças rurais e religiosas. Dona Marisa, sua esposa na época, costurou a primeira bandeira do partido.
O país entrava na reta final da ditadura, com a abertura política “lenta e gradual” definida pelos militares, e ganhou alternativa de partido à esquerda.
A atuação de Lula também foi importante na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983. No ano seguinte, ele participou da campanha das Diretas Já, movimento que levou multidões às ruas para exigir a volta das eleições diretas para presidente da República.
A passagem do sindicalismo para a política eleitoral começou em 1982, quando Lula concorreu, sem sucesso, ao governo de São Paulo e ficou em quarto lugar. Quatro anos depois, em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou a Constituição de 1988.
Derrotas
Em 1989, o petista estreou na corrida ao Planalto na primeira eleição direta para presidente desde 1960. Ele chegou ao segundo turno, porém foi derrotado por Fernando Collor de Mello, à época no PRN, que em 1992 renunciou e foi condenado em um processo de impeachment motivado por denúncias de corrupção.
Lula voltou a concorrer ao Planalto em 1994 e 1998, porém nas duas ocasiões foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), candidato impulsionado pelo êxito do Plano Real no combate à inflação.
Mandatos
Em 2002, Lula foi eleito com 52,7 milhões de votos. Derrotou no segundo turno José Serra (PSDB), candidato governista. Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a governar o Brasil.
Definiu como meta a redução da miséria e da desigualdade, aprimorou políticas sociais e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni.
Em 2006, Lula recebeu 58,2 milhões de votos e venceu Geraldo Alckmin, que estava no PSDB, no segundo turno. Reeleito, lançou novos programas, com destaque para a política de habitação do Minha Casa, Minha Vida e para as obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Lula foi badalado no exterior, ao ponto de ser chamado de “o cara” pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Com aprovação recorde de 87%, o petista se despediu em 2010 tendo sido decisivo na vitória de Dilma Rousseff (PT), sua ex-ministra, na corrida presidencial.
Lula iniciou o terceiro mandato em 2023 depois de vencer Jair Bolsonaro no segundo turno com 60,3 milhões de votos.
O petista recriou ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura. Também ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e o dos Povos Indígenas.
Lula passou por algumas crises nos últimos quatro anos, como o escândalo de fraudes no INSS, com os descontos indevidos em aposentadorias e pensões no período de 2019 a 2024. O caso levou à troca do comando do instituto e o indiciamento de ex-dirigentes do órgão, além da substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social.
Também viu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a Polícia Federal a realizar investigações sobre o suposto tráfico de influência de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev.
E, em junho, teve de retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar baiano ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias praticadas pelo Banco Master.
Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda.
O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome e houve a ampliação de programas voltados à moradia e à transferência de renda, além da implementação de medidas para ampliar o acesso à saúde e para estimular investimentos.
Com informações G1.



















