Ronaldo Caiado classifica interferência da Justiça Eleitoral no debate presidencial como “atentado à democracia brasileira” e crítica ausência de candidatos

Candidato do PSD afirmou que o processo eleitoral foi prejudicado e disse que decisões do TSE e do STF podem provocar “consequências seríssimas”

(Foto: Reprodução / CNN)

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, criticou na noite desta  quinta-feira (1°) após o cancelamento do debate da TV Globo, durante entrevista no próprio estúdio da Globo, a ausência de debate entre os presidenciáveis de Lula e de Flávio Bolsonaro e fez duras declarações contra decisões tomadas pela Justiça Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal durante o processo eleitoral.

Ronaldo Caiado iniciou sua manifestação classificando o episódio como um “atentado à democracia brasileira”. Na avaliação do candidato, a interferência da Justiça Eleitoral no debate presidencial teria “destruído o processo eleitoral no Brasil”, comprometendo, segundo ele, a participação dos candidatos e o direito dos eleitores de acompanhar o confronto de ideias e propostas.

Segundo Caiado, a população deveria ter tido a oportunidade de acompanhar debates entre os candidatos para conhecer melhor as propostas apresentadas para o país. Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teria participado dos debates e, segundo sua avaliação, teria adotado uma estratégia alternativa de comunicação durante a campanha.

Caiado também criticou decisões atribuídas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a declaração, o candidato afirmou que haveria uma tentativa de concentrar decisões sobre o processo eleitoral entre integrantes do Judiciário.

«“Acredito que eles desejam chegar a um ponto que é da ditadura da toga, aonde provavelmente eles querem reunir entre eles e decidir quem deve ser o presidente da República”, declarou Caiado.»

O candidato afirmou ainda que a situação poderia afetar a confiança dos eleitores no processo eleitoral. Segundo ele, parte da população estaria “desesperançosa” e sem enxergar no voto uma ferramenta capaz de promover mudanças no país.

Caiado também citou sua trajetória política e afirmou que deixou Goiás com aprovação de 88% da população. Ele destacou áreas como segurança pública, educação, saúde, programas sociais, infraestrutura e equilíbrio fiscal como prioridades de sua gestão.

Ao falar sobre o processo eleitoral, Caiado lembrou que participou da primeira eleição presidencial após a redemocratização, em 1989, quando 22 candidatos disputaram a Presidência.

“Fizemos debate o tempo todo. Nunca teve nenhuma interferência, nenhuma ingerência. Debatemos, como democrata que sou, aceito a decisão das urnas”, afirmou.

O candidato também declarou que considera grave o que classificou como uma perda de credibilidade das instituições perante a sociedade brasileira e disse que eventuais interferências no processo eleitoral poderiam provocar reações da população.

Crítica a Lula

Questionado pelo jornalista Ricardo Diniz, da Gazeta de São Paulo, sobre qual mensagem deixaria para Lula e Flávio Bolsonaro diante da ausência do debate, Caiado atribuiu ao presidente Lula a responsabilidade pelo cenário.

“O debate é que o Lula provocou tudo isto. Ele foi o fator determinante de tudo isso”, afirmou.

Caiado disse ainda que Lula teria sido desafiado por Flávio Bolsonaro para participar de um debate em Goiânia e, posteriormente, teria adotado outra estratégia durante a campanha.

As declarações foram dadas no contexto das críticas de Caiado à condução do processo eleitoral e à ausência do debate entre os candidatos à Presidência.