Greve da Caixa entra em dia decisivo com votação de nova proposta

Funcionários analisam mudanças no Saúde Caixa após nova rodada de negociações; decisão desta segunda-feira, 21, pode definir os próximos passos da paralisação.

Foto: Zap Catalão

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal pode chegar ao fim nesta segunda-feira, 21. A categoria se reúne hoje para votar em uma nova proposta apresentada pelo banco após 11 dias de paralisação e de negociações, em um impasse que tem o Saúde Caixa como um dos principais pontos de divergência.

A paralisação começou nacionalmente em 10 de setembro, depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela instituição para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028. Em Goiás, a mobilização começou dois dias antes, em 8 de setembro.

Desde o início do movimento, o principal ponto de discordância tem sido o modelo de custeio do plano de saúde. Durante os primeiros dias da greve, o presidente do Sindicato dos Bancários de Goiás, Sérgio Luiz da Costa, afirmou que a categoria não concordava com a inclusão das mudanças no Saúde Caixa dentro das negociações do acordo coletivo. “A Caixa está colocando dentro da campanha salarial a questão do Saúde Caixa, condicionando a ACT junto com o Saúde Caixa”, afirmou Sérgio na ocasião.

Segundo o sindicalista, uma das preocupações era o impacto das mudanças para aposentados que continuam utilizando o plano. A entidade defendia que a discussão sobre o Saúde Caixa fosse tratada separadamente da campanha salarial.

A nova proposta muda os pontos do plano

Depois de novas rodadas de negociação, a Caixa apresentou uma nova proposta na madrugada de 17 de setembro. O texto aumenta de 6,5% para 9% o limite de participação do banco no custeio do Saúde Caixa, a partir de 2027. A proposta mantém o modelo solidário do plano e o pacto intergeracional, sem estabelecer cobrança diferenciada de acordo com a idade dos beneficiários. O Saúde Caixa também permanece previsto no Acordo Coletivo de Trabalho. Para 2026, não está previsto reajuste nas mensalidades. A Caixa também assumirá o eventual déficit registrado pelo plano neste ano.

A partir de 2027, a contribuição do titular será de 3,7% da remuneração-base. Para os dependentes, estão previstos valores fixos, de acordo com a modalidade de vínculo. A proposta também reduz de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consultas em pronto atendimento e mantém a ausência de coparticipação em atendimentos por telemedicina.

Outra mudança prevista é a criação de um grupo de trabalho, em até 60 dias, para discutir um novo modelo de gestão do Saúde Caixa. A proposta também estabelece que haja pelo menos um empregado dedicado ao plano em cada Gerência de Pessoas e Representação Regional de Pessoas.

Os trabalhadores, no entanto, reivindicavam o retorno da divisão de custeio de 70% para a Caixa e 30% para os empregados. A nova proposta não restabelece esse modelo, mas eleva o limite de participação do banco de 6,5% para 9% da folha. Antes da apresentação da nova proposta, o Sindicato dos Bancários de Goiás defendia a continuidade da paralisação até que a Caixa voltasse à mesa de negociação. “A greve permanece até a Caixa convocar a comissão de negociação da Contec e fazer uma contraproposta, ou retirar o Saúde Caixa da campanha salarial. Ou tem que haver outra alternativa para isso, para fazer uma análise”, afirmou Sérgio Luiz.

Naquele momento, 96,5% dos empregados da base do sindicato haviam rejeitado a proposta inicial apresentada pela Caixa. A avaliação da entidade era de que o texto não atendia às reivindicações dos trabalhadores, principalmente em relação ao plano de saúde. O sindicalista também havia defendido a mobilização da categoria. “Nós não podemos esmorecer. Tem que ser duro nas nossas reivindicações”, declarou.

Com a nova rodada de negociações, a Caixa alterou parte dos pontos que estavam no centro do impasse. Além das mudanças no Saúde Caixa, a proposta prevê alterações no programa Super Caixa, com aumento da premiação inicial por habilitação de 25% para 50% no segundo semestre de 2026. O banco também manteve a previsão de pagamento de um prêmio de R$ 3 mil por empregado, relacionado ao atingimento do Índice de Eficiência Operacional (IEO).

Nova votação acontece nesta segunda

A votação da nova proposta ocorre nesta segunda-feira, 21, de forma virtual. Antes da abertura das urnas, os trabalhadores participam de uma plenária para esclarecimento de dúvidas. Em assembleias divulgadas por entidades sindicais, a votação está prevista para ocorrer das 11h às 18h.

Caso a proposta seja aprovada, o dia de paralisação realizado em 20 de agosto será abonado. Já os demais dias úteis de greve deverão ser compensados pelos trabalhadores em até 180 dias.

A decisão desta segunda-feira, portanto, pode definir os próximos passos da mobilização. Se os empregados aprovarem o novo texto, a greve será encerrada. Caso a proposta seja rejeitada, a paralisação continuará e as negociações deverão prosseguir.

A Caixa informou que mantém o diálogo com as entidades representativas dos empregados e que busca uma solução para a renovação do ACT e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), levando em conta a valorização dos trabalhadores, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços prestados à população.

Em Goiás, o movimento chegou a atingir cerca de 150 unidades da Caixa, entre agências e postos, segundo estimativa apresentada pelo Sindicato dos Bancários durante o início da paralisação.

Com informações: Jornal Opção