MPGO denuncia médico por homicídio culposo após morte de paciente asmático em UPA de Caldas Novas

Paciente de 24 anos morreu após atendimento em fevereiro de 2025. Ministério Público aponta imperícia durante procedimento de intubação; denúncia já foi recebida pela Justiça.

Denunciado recusou ANPP e suspensão condicional do processo (Foto: MPGO)

O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio da 7ª Promotoria de Justiça de Caldas Novas, denunciou um médico por homicídio culposo após a morte de Francisco Guilherme da Costa Silva, de 24 anos, durante atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caldas Novas. A denúncia já foi recebida pela Justiça.

Segundo o MPGO, Francisco tinha asma desde a infância e procurou a unidade acompanhado da mãe no dia 15 de fevereiro de 2025, após apresentar sintomas de uma crise asmática. Na triagem, ele foi classificado como caso de “urgência menor” e aguardou atendimento por aproximadamente 1 hora e 40 minutos. Durante esse período, conforme a acusação, o quadro respiratório piorou.

Após o agravamento, o jovem foi levado para a sala vermelha, onde ficou sob os cuidados do médico denunciado, que, segundo o Ministério Público, cumpria o primeiro plantão na unidade.

MPGO aponta imperícia durante atendimento

De acordo com a denúncia, diante da piora do paciente, foram adotadas medidas para suporte respiratório e, posteriormente, realizada intubação orotraqueal. O procedimento exigiu mais de uma tentativa.

Ainda segundo o MPGO, posteriormente foi constatado por uma médica do Samu que o tubo estava posicionado de forma inadequada, fora da traqueia. A acusação sustenta que o paciente continuou recebendo ventilação mecânica e desenvolveu complicações graves, entre elas barotrauma, pneumotórax hipertensivo, hemotórax e enfisema subcutâneo.

Francisco apresentou piora progressiva e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Foram realizadas manobras de reanimação, drenagem torácica e substituição do tubo, mas ele não resistiu.

Perícia apontou relação com o óbito

Conforme o Ministério Público, o exame cadavérico apontou relação entre as complicações respiratórias que levaram à morte e o barotrauma ocorrido durante a ventilação mecânica invasiva.

O laudo pericial citado na denúncia também apontou limitações nos registros do prontuário, como ausência de informações detalhadas sobre exame físico, ausculta cardiopulmonar, frequência respiratória e evolução clínica.

Segundo a análise pericial apresentada pelo MPGO, os dados disponíveis também levantaram questionamentos sobre a necessidade e o momento da intubação. O laudo indicou que a morte ocorreu em decorrência de complicações respiratórias agudas relacionadas ao barotrauma durante a ventilação mecânica invasiva, em um quadro agravado pela asma.

MPGO pede condenação e indenização

Antes de apresentar a denúncia, a Promotoria ofereceu ao médico uma proposta de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) e a possibilidade de suspensão condicional do processo. Segundo o MPGO, ambas foram rejeitadas pelo denunciado.

Na ação penal, o Ministério Público pede a condenação do médico por homicídio culposo, com base no artigo 121, parágrafos 3º e 4º, do Código Penal. O órgão também solicita que seja estabelecida indenização mínima de R$ 200 mil à família da vítima, valor que poderá ser posteriormente ajustado.

O caso segue em tramitação na Justiça, e o recebimento da denúncia não representa condenação. O médico poderá apresentar sua defesa no decorrer do processo.

O espaço permanece aberto para manifestação da defesa do médico e da administração da UPA de Caldas Novas.

Com informações: Ministério Público de Goiás