Homem é encontrado morto e enterrado após suposto ‘Tribunal do Crime’ em Uberlândia

Segundo a Polícia Civil, vítima de 46 anos teria sido sequestrada, levada para um cativeiro e executada após relato de suposto abuso sexual. Corpo foi localizado em uma área de mata na região do Shopping Park.

Corpo foi encontrado enterrado em área de mata, em Uberlândia. Foto: Divulgação/PC

A Polícia Civil encontrou, na madrugada desta quinta-feira (10), o corpo de um homem de 46 anos enterrado em uma área de mata na região do Shopping Park, em Uberlândia (MG). Segundo as investigações, a vítima teria sido submetida a um chamado “Tribunal do Crime” após um relato de suposto abuso sexual envolvendo uma mulher.

De acordo com o delegado Carlos Fernandes, da Delegacia de Homicídios, a Polícia Civil recebeu, na quarta-feira (9), informações de que imagens de uma possível execução estariam circulando entre moradores da região.

A partir das informações, investigadores foram até o bairro, conversaram com moradores e localizaram uma mulher que conhecia a vítima. Ela relatou aos policiais um suposto episódio de violência sexual que teria ocorrido dias antes.

Segundo a investigação, a mulher, a vítima e outras pessoas participavam de uma confraternização com consumo de bebidas alcoólicas durante a madrugada de domingo (6). Por volta das 4h, quando teria ido dormir, a mulher relatou posteriormente que teria ocorrido uma relação sexual sem o consentimento dela.

Ainda conforme a Polícia Civil, o irmão da mulher, que é menor de idade, teria tomado conhecimento do relato e comunicado integrantes de um grupo criminoso que atua na região.

Vítima teria sido levada para cativeiro

A investigação aponta que, cerca de uma hora e meia depois, por volta das 5h30, suspeitos teriam retirado o homem de sua residência e o levado para um cativeiro localizado em outro bairro de Uberlândia.

Durante a manhã de domingo, segundo a Polícia Civil, os envolvidos teriam realizado o chamado “Tribunal do Crime”, expressão utilizada para definir julgamentos ilegais promovidos por integrantes de organizações criminosas.

O delegado Carlos Fernandes afirmou que as informações apuradas até o momento indicam que a execução teria sido transmitida ao vivo para a mulher que havia feito o relato de suposto abuso.

“O irmão dela tomou conhecimento e passou o caso para integrantes [de organização criminosa] do bairro. Essas pessoas se mobilizaram, pegaram a vítima e a levaram para um cativeiro. Durante o domingo pela manhã, eles fizeram o ‘Tribunal do Crime’. As informações que recebemos é de que a execução teria sido transmitida ao vivo para essa mulher presenciar. Depois de executado com uma corda, o corpo foi levado até o Shopping Park, em uma área de mata”, relatou o delegado.

Corpo foi encontrado enterrado

A principal suspeita investigada pela Polícia Civil é de que o homem tenha sido morto por enforcamento com uma corda.

Após a execução, o corpo teria sido colocado em um veículo e transportado até uma área de mata na região do Shopping Park, onde foi enterrado em uma cova que, segundo a investigação, teria sido aberta pelos próprios envolvidos.

Durante a madrugada desta quinta-feira, equipes da Delegacia de Homicídios reuniram informações e analisaram imagens para tentar identificar o ponto onde o corpo havia sido escondido.

Por volta das 4h, os policiais localizaram a cova. O Corpo de Bombeiros foi acionado e realizou os trabalhos de escavação e retirada do corpo.

A vítima era natural da Bahia e, segundo a Polícia Civil, morava em Uberlândia havia pelo menos seis anos. O homem não tinha familiares na cidade, e os parentes foram comunicados sobre a morte pela corporação.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde deverá passar por exame de necropsia para confirmar a causa da morte e identificar possíveis outras lesões.

Polícia investiga envolvidos

Segundo a Polícia Civil, até então não havia registro policial relacionado ao suposto abuso sexual relatado pela mulher. Também não havia registro de desaparecimento da vítima.

A Delegacia de Homicídios instaurou inquérito e segue com as investigações para identificar e responsabilizar os envolvidos no possível sequestro, tortura, homicídio e ocultação do corpo.

Até o momento das informações divulgadas, ninguém havia sido preso.

O delegado Carlos Fernandes informou ainda que o relato de suposta violência sexual também será investigado pela Polícia Civil.

Com informações do Diário de Uberlândia.