Secretaria da Saúde chama atenção para avanço do sorotipo DEN-3, que já representa 53,8% das amostras positivas analisadas neste ano e pode ampliar número de pessoas suscetíveis à doença

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) alerta para o risco de aumento dos casos de dengue, zika e chikungunya após as chuvas registradas em diferentes regiões do estado. Associadas às altas temperaturas, associado ao fenômeno El Niño, as precipitações favorecem a eclosão dos ovos do Aedes aegypti e podem antecipar o período de maior transmissão das arboviroses.
Além das condições climáticas, a SES acompanha uma mudança no perfil de circulação do vírus da dengue. Dos quatro sorotipos existentes — DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4 —, os tipos 1 e 2 predominaram em Goiás nos últimos anos. Em 2026, no entanto, o DEN-3 passou a responder por mais da metade das amostras positivas monitoradas pela vigilância laboratorial no estado.
Análises realizadas pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen) mostram que o DEN-3 representa 53,8% das amostras positivas identificadas neste ano, ante 45,8% do DEN-2. A mudança fica evidente na comparação com períodos anteriores. Em 2025, o DEN-2 correspondia a 87,4% das amostras analisadas. Em 2024, esse sorotipo representava 74,7%, enquanto o DEN-1 respondia por 25,2%. Já em 2023, o DEN-1 concentrava 95,4% das análises.
A circulação do DEN-3 amplia a parcela da população suscetível à infecção, uma vez que pessoas que já tiveram contato com os sorotipos 1 ou 2 desenvolveram imunidade específica contra esses tipos, mas não necessariamente contra o DEN-3. “É como se a população estivesse acostumada a enfrentar um ‘adversário’ conhecido (DEN-2), mas agora surge um ‘adversário’ diferente (DEN-3) e, como muitas pessoas não têm defesa específica contra ele, é possível que tenhamos um aumento de pessoas adoecendo com dengue com possibilidade de agravamento dos sintomas e óbitos”, alerta a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES, Flúvia Amorim.
Cenário epidemiológico
Goiás contabiliza 158.461 notificações e 103.213 casos confirmados de dengue em 2026, número 16% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Até o momento, foram confirmadas 81 mortes pela doença, enquanto outras 31 permanecem sob investigação. A chikungunya também registra crescimento. O estado soma 13.317 notificações e 11.223 confirmações, alta de 356% em relação ao mesmo período do ano anterior. Cinco mortes provocadas pela doença foram confirmadas em 2026.
No fim de agosto, a SES encaminhou aos municípios orientações previstas em uma Nota Informativa. O documento trata dos riscos à saúde relacionados a ondas de calor, temperaturas acima da média, baixa umidade relativa do ar e maior possibilidade de queimadas e incêndios florestais.
Cuidados em casa
A eliminação de locais que acumulam água continua como uma das principais medidas de prevenção contra o Aedes aegypti. A orientação é recolher e descartar corretamente pneus, embalagens e outros materiais que possam servir de criadouro, além de manter limpos baldes, pratos de plantas, vasos sanitários sem uso e recipientes de água destinados aos animais. Também é necessário lavar com água e sabão as bordas dos objetos que armazenam água, onde os ovos do mosquito podem permanecer aderidos.
Com o retorno das chuvas, a recomendação é intensificar a limpeza de calhas e quintais, retirar resíduos descartados em locais inadequados e verificar terrenos e lotes. Recipientes utilizados para armazenar água da chuva devem permanecer tampados para impedir o acesso do mosquito ao interior dos reservatórios. A SES orienta que a vistoria nos imóveis faça parte da rotina das famílias, principalmente após períodos de chuva.






















