Operação vai elevar produção anual do metal precioso a 8 toneladas, diz empresa em nota

O Grupo CMOC, uma das maiores mineradoras da China, ampliou seu portfólio de minerais preciosos com um acordo de US$ 1 bilhão para comprar as operações da Equinox Gold Corp. no Brasil.
O acordo inclui duas unidades da Equinox, a Leagold LatAm Holdings BV e a Luna Gold Corp, que controlam diversas reservas e minas de ouro no Brasil. A Equinox vai receber US$ 900 milhões em espécie, mais outro pagamento de até US$ 115 milhões um ano depois de o negócio ser fechado, informou em comunicado o CMOC.
O CMOC, cujos principais focos são cobre e cobalto, disse que sua produção anual de ouro vai atingir 8 toneladas depois de fechar o acordo com a Equinox. Este ano, o grupo chinês já comprou a mineradora canadense Lumina Gold Corp. por US$ 422 milhões. Essa operação lhe garantiu o acesso à maior reserva de ouro do Equador.
CMOC amplia portfólio no Brasil
A aquisição representa mais um capítulo da expansão chinesa na mineração brasileira. A CMOC Brasil já é a segunda maior produtora de nióbio do mundo e a segunda maior produtora de fertilizantes fosfatados do Brasil, com operações em Catalão e Ouvidor (GO) e Cubatão (SP).
A empresa chinesa chegou ao país em 2016, quando adquiriu as operações de nióbio e fosfatos da Anglo American por US$ 1,7 bilhão. Com produção recorde em 2024 de 10.024 toneladas de nióbio e 1,18 milhão de toneladas de fertilizantes, a CMOC agora diversifica seu portfólio brasileiro ao entrar no segmento de ouro.
A movimentação se insere em tendência mais ampla de empresas chinesas no setor mineral brasileiro. Nos últimos anos, grupos como CMOC, MMG (Minerals and Metals Group) e Zijin Mining têm realizado aquisições estratégicas no país, competindo por ativos em minerais críticos e metais preciosos.
Em 2024, a China Nonferrous Mining Metal Company (CNMC) adquiriu a Mineração Taboca por US$ 340 milhões, produtora de estanho, tântalo e nióbio no Amazonas. A Baiyin Nonferrous também firmou compromisso de compra da Mineração Vale Verde, produtora de cobre em Alagoas, por US$ 420 milhões.
Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), empresas chinesas investiram US$ 4,2 bilhões em projetos no Brasil em 2024, um salto de 113% em relação a 2023, com foco em setores estruturais como energia, petróleo, infraestrutura e mineração.
Foco estratégico na América do Norte
Para a Equinox Gold, a venda representa reposicionamento estratégico. Segundo Darren Hall, CEO da companhia, os recursos transformarão o balanço patrimonial ao liquidar integralmente o empréstimo a prazo de US$ 500 milhões e o empréstimo Sprott de US$ 300 milhões, além de reduzir a linha de crédito rotativo.
“A venda de nossas operações no Brasil é um passo fundamental para posicionar a Equinox Gold como produtora de ouro focada na América do Norte, com forte fluxo de caixa e perfil de crescimento de primeira linha”, afirmou Hall.
Novo perfil operacional
Após o fechamento, o portfólio da Equinox Gold será composto pelas minas Valentine e Greenstone no Canadá, Mesquite na Califórnia, e El Limón e Libertad na Nicarágua. A empresa projeta produção anual entre 700 mil e 800 mil onças de ouro em 2026, assumindo que Valentine e Greenstone atinjam capacidade nominal.
A companhia também mantém potencial de crescimento orgânico através da expansão de Valentine, fase 2 de Castle Mountain e plano de desenvolvimento redefinido para Los Filos, no México.
Pagamento Contingente
O pagamento contingente de até US$ 115 milhões será calculado após um ano do fechamento, conforme os seguintes critérios: 12,5% da receita para produção entre 200 mil e 280 mil onças, ou US$ 115 milhões se a produção atingir ou ultrapassar 280 mil onças.
Com informações do O Globo e Brasil Mineral






















